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Liderança e motivação na gestão de departamentos jurídicos

Marco Antonio P. Gonçalves


O present post é um relato do autor sobre o evento "Serviços Jurídicos: Gerenciamento e Marketing para Escritórios e Departamentos Jurídicos", promovido pelo Consultor Jurídico no dia 27 de abril de 2007, em São Paulo.

 

A primeira palestra do evento foi apresentada por Antonio Alberti Neto, Diretor Jurídico do Grupo Carrefour, e teve como tema liderança. Antonio abriu sua palestra com duas frases sutilmente distintas:

Liderar não é fazer com que os outros façam o que deve ser feito.
Liderar é fazer com que os outros queiram muito fazer o que deve ser feito.

A segunda afirmação resume muito bem o que significa ser um líder, e foi complementada por breves resumos sobre grandes líderes do passado e alguns líderes brasileiros da atualidade: Eisenhower, Churchill, Felipão (futebol) e Bernardinho (vôlei). Todos, guardadas as devidas proporções, são verdadeiros líderes.

Em seguida, Alberti elencou os sete traços distintos de um líder:

1. Saber Ouvir;
2. Planejar com disciplina na execução;
3. Energizar/Inspirar (a Idéia, a Meta, o Plano, o Resultado), “Colocar a alma no que faz";
4. Coragem, Firmeza e Serenidade para decidir;
5. Buscar a Perfeição (jamais “sentar nos louros”);
6. Humildade;
7. Falar e Fazer ("walk the talk").

O quinto traço, "jamais sentar nos louros", foi bastante enfatizado, pois é muito comum o profissional atingir um determinado grau de sucesso e, de certo modo, parar e deixar de se preocupar, de se importar. Ninguém deve viver do sucesso do passado, mas sim usá-lo como ponto de partida para ir ainda mais longe.

O sétimo traço, "walk the talk", é um que considero essencial, mas que, infelizmente, não é muito comum nos escritórios e, em consequência, é uma das principais razões dos conflitos existentes entre advogados/sócios mais velhos/antigos e os advogados mais jovens. Os mais velhos, que detêm o poder, ditam as regras que devem ser seguidas por todos, mas que, na prática, eles mesmos não cumprem. Liderar é dar o exemplo. Agora, falar uma coisa e fazer outra... é incentivar o caos interno.

Antonio Alberti também falou sobre o modelo de liderança do Carrefour, que é baseado em três pilares: liderar o negócio, liderar os outros e liderar a si mesmo. Dentro do último pilar, destaco um item essencial:

Busca desafios, sai de sua zona de conforto

Muitos dos desafios enfrentados hoje pelos profissionais de administração que atuam em escritórios, residem exatamente no medo de mudar a maneira como os escritórios sempre operaram e como os advogados sempre trabalharam. Em geral, o medo da mudança é generalizado e está longe de ser exclusivo dos advogados. Mas são aqueles que o enfrentam, que saem de sua zona de conforto, que se tornam bem-sucedidos pessoal e/ou profissionalmente.

Alberti continuou, destacando quatro princípios fundamentais:

1. Pessoas sempre pessoas;
2. O cliente interno é nosso patrocinador;
3. O advogado externo é o nosso prolongamento;
4. Manutenção de um controle de gestão financeira interno.

Dentro de cada princípio foram listados vários itens, dos quais destaco os que mais me chamaram a atenção:

  • Retenção, recompensa e constante procura dos melhores talentos (tolerância zero para performance fraca);
  • Nós somos "business lawyers";
  • Avaliação constante de performance [de escritórios externos] e razoabilidade nos custos;
  • Estabelecimento de uma política interna centralizada no departamento jurídico para todos os escritórios externos;
  • Minucioso controle de despesas dos escritórios externos;
  • Padronização dos contratos com escritórios externos;
  • Política nacional de relacionamento com os escritórios externos;

Sobre a questão dos advogados internos serem "business lawyers", Alberti explicou que eles têm que entender do negócio do Carrefour tanto quanto o pessoal da linha de frente. Como "business lawyers", eles tem dois grandes objetivos:

  • Ajudar o cliente interno a "chover" (fazer dinheiro);
  • Ajudar a "fazer poeira" para a concorrência.

Com certeza são os mesmos objetivos de todos os diretores jurídicos de empresas de maior e menor porte, algo que precisa ser compreendido pelos advogados externos que as atendem. Para isso, é preciso conhecer o negócio do cliente. Nesse sentido, Alberti afirmou que sua equipe jurídica é a melhor do segmento varejista brasileiro e fez elogios a vários escritórios brasileiros de grande porte. Disse que esses escritórios vivem o seu dia-a-dia e o atendem como se fossem advogados do próprio Carrefour: "estão imantados conosco para fazer chover".

Sobre o post

Post originalmente publicado no blog marketingLEGAL em 28/04/2007.

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