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Tamanho não é documento

Giselle Souza


ESTUDO - Empresas no Brasil preferem contratar escritórios de advocacia de menor porte para prevenir demandas na Justiça ou gerenciar as já existentes; pesquisa ouviu representantes de 112 departamentos jurídicos no País

As empresas no Brasil preferem contratar escritórios de advocacia de menor porte para prevenir demandas na Justiça ou gerenciar as já existentes. É o que mostra estudo inédito realizado pela LexisNexis® MartindaleHubbell – rede líder na área de serviços para o mercado jurídico –, em conjunto com a Gonçalves & Gonçalves Marketing Jurídico e o Fórum de Departamentos Jurídicos. A pesquisa buscou identificar os fatores mais importantes para as companhias na hora de escolher e manter um contrato de representação com as bancas de advocacia do País. Para isso, foram entrevistados representantes de 112 departamentos jurídicos. O resultado foi revelador: 33% dos pesquisados disseram preferir trabalhar com escritórios pequenos (com até 10 advogados), enquanto 44% preferem escritórios médios (até 50 profissionais).

Alessandra Machado Gonçalves, sócia da Gonçalves & Gonçalves Marketing Jurídico e especialista em marketing estratégico, afirmou que o resultado surpreendeu. “Todos esperavam que isso (a contratação) fosse mais natural para os escritórios maiores. A preferência das empresas não é pela região onde o escritório atua ou o porte dele. A preocupação maior agora é saber se o escritório tem conhecimento no setor em que a companhia atua”, afirmou.

De acordo com o estudo, a maior parte das contratações resulta de recomendações de advogados de outras empresas (94%), de outros escritórios de advocacia (86%) e de membros da diretoria da própria empresa (57%). Segundo o levantamento, as empresas também preferem trabalhar com um número reduzido de escritórios: ao todo, 65% delas atuam com até 10 escritórios de advocacia. “Estas escolhas confirmam que os advogados de departamentos jurídicos conversam entre si e trocam experiências,” explicou Marco Antonio P. Gonçalves, administrador especializado em marketing e desenvolvimento de estratégias e negócios para escritórios de advocacia.

A pesquisa mostrou quais assuntos jurídicos são mais terceirizados.

Aqueles considerados básicos ou rotineiros são quase que totalmente desenvolvidos internamente – ou seja, pelos próprios departamentos jurídicos (81%). No que diz respeito às questões de maior complexidade e não recorrentes, 47% das empresas preferem realizar um trabalho conjunto com escritórios e 48% preferem que as bancas sejam em grande parte as responsáveis por enfrentá-los.

Entre as áreas do Direito mais demandadas pelas empresas, destacam-se a tributária (88%), a trabalhista (85%) e o contencioso (82%). Este último, junto com a gestão de risco, foi apontado como a principal preocupação de longo prazo das empresas, apresentandose como um importante e constante desafio de relação direta com os prestadores externos de serviços jurídicos.

Em menor grau, também se destacam a área penal (52%), propriedade intelectual (50%), societário (46%), ambiental (37%), fusões & aquisições (34%), antitruste & concorrência (32%) e regulatório (21%).


MERCADO

De acordo com o estudo, ser um bom escritório não mais é suficiente aos olhos do mercado. “É preciso muito mais e isso fica bem claro quando são analisados os critérios para contratação de escritórios pelas empresas”, diz a pesquisa.

Dessa forma, diversos critérios foram considerados importantes ou muito importantes pelas empresas, mas três receberam maior grau de qualificação. São eles: conhecimento jurídico (99%), que não é necessariamente sinônimo de serviço jurídico de qualidade; disponibilidade ou serviço ao cliente (98%); e experiência em setores de mercado (97%). “Nesse sentido, as empresas desejam muito mais do que comunicação pura e simples, deixando mais do que claro que valorizam as medidas tomadas pelos escritórios em prol do desenvolvimento e aprofundamento do relacionamento entre ambos”, conclui a pesquisa.

O estudo também apontou os critérios utilizados pelas empresas na hora de contratar as bancas de advocacia. Alessandra explicou que um dos fatores mais importantes para as empresas, para contratar e principalmente manter o contrato, está relacionado à comunicação.

“Com o escritório de menor porte, a comunicação é mais fácil e diretamente com o sócio. O pensamento entre eles geralmente está alinhado. O atendimento é, portanto, mais personalizado”, explicou.

“Até certo ponto, departamentos legais corporativos estão alinhados com iniciativas de outras jurisdições, geralmente tentando balancear os interesses dos clientes e dos escritórios em termos do valor e custo dos serviços legais,” acrescentou Alessandra.

Nesse sentido, ela destacou que o serviço jurídico prestado pelos escritórios deve ser de qualidade e não mera propaganda.

De acordo com a pesquisa, a qualidade da assistência prestada foi considerada importante ou muito importante por 98% das empresas, como medida a ser tomada pelas bancas para a manutenção de seus contratos.

“As empresas foram praticamente unânimes em apontar a baixa qualidade do trabalho jurídico como a principal razão para a dispensa de um escritório.

A importância dada a esse aspecto pelos departamentos jurídicos só mostra o tipo de problema que os escritórios enfrentarão caso divulguem uma qualidade que o cliente não terá após contratálos”, diz o levantamento.


AUTONOMIA

Dessa forma, a especialista destacou que o principal motivo para a dispensa está relacionado à baixa qualidade da assessoria prestada (99%).

Segundo o estudo, a falta de atenção em assuntos críticos (99%), a falta de ética e profissionalismo (98%) e a falta de confidencialidade (94%) também são alguns dos fatores que levam as empresas a descartar a representação realizada por determinado escritório.

O estudo mostrou que as empresas também dão valor a certas iniciativas tomadas pelos escritórios para melhorar o relacionamento estabelecido.

Nesse sentido, destacam-se uma melhor adaptação aos projetos da companhia (94%); melhor relacionamento ou “química” pessoal (84%); apresentações e treinamentos não cobrados para advogados do departamento jurídico (78%); reuniões, visitas e entrevistas (61%); e pesquisas de satisfação ou processos formais de retorno do cliente (57%).

Sobre o artigo

Veiculada no jornal:
  • Jornal do Commercio [09/04/2010]

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