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Marketing é realidade em 37% dos escritórios brasileiros

Andréia Henriques


Os escritórios estão cada vez mais agindo internamente como empresas e a consequência natural é a criação e desenvolvimento de uma equipe de marketing, que atua principalmente na exposição do escritório e de seus profissionais no mercado por meio de atividades como assessoria de imprensa, site institucional e eventos. Essa já é a realidade em 37% dos escritórios do Brasil, que contam com pelo menos um profissional especializado na área, segundo constatou a pesquisa realizada pela LexisNexis Martindale-Hubbell com 138 escritórios de advocacia -109 brasileiros e 29 mexicanos - em 2010.

A tendência de instituir um departamento para cuidar do marketing das bancas vem sendo puxada pelos grandes escritórios, com mais de 50 advogados: quanto maior o escritório, maior o número de profissionais especializados empregados. Segundo o estudo, conduzido pelo Gonçalves & Gonçalves Marketing Jurídico com o suporte de Hernández Romano Consultores, do México, isso deriva de um maior grau de profissionalização aliado a melhores condições de investimento, além de mostrar um alinhamento dos escritórios brasileiros com as grandes bancas internacionais.

Para Alessandra Machado Gonçalves, especialista em comunicação e marketing para escritórios de advocacia empresarial e responsável pela pesquisa, os grandes estão apontando a direção para os demais ao fazerem uso intenso e regular do marketing. "Devido ao porte, precisam se organizar como empresas, de acordo com as disciplinas da Administração", afirma.

O cenário, no entanto, ainda está longe do ideal. Além de 63% dos escritórios não contar sequer com um profissional interno de marketing, do restante que tem uma equipe, 28% contam com apenas um especialista e 3% têm cinco ou mais pessoas para a área. Além disso, o planejamento formal é uma prática realizada por poucos escritórios, com 32% se dedicando à estruturação de suas atividades de marketing, com diferentes graus de investimento, financeiro e de tempo. Só 27% das bancas contam com um orçamento formal de marketing e a grande maioria dos responsáveis pelo setor (75%) são advogados, responsáveis também por autorizar as despesas na área.

Alessandra Gonçalves afirma que qualquer escritório, independente de seu porte, pode adotar o marketing. "Se isso ainda não acontece, infelizmente, é por um desconhecimento das regras somado a como o marketing jurídico deveria funcionar", diz. Para ela, a regulamentação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) restringe o uso de práticas que são de uso comum no marketing tradicional de produtos e serviços, como propaganda generalizada em todos os meios, telemarketing ou promoções. Mas as limitações não necessariamente se aplicam ao marketing jurídico.

"O que funciona no marketing tradicional não necessariamente funciona no marketing jurídico e isso não é razão para considerar a regulamentação restritiva, mas apenas uma indicação de que as soluções devem ser outras e que devem considerar, acima de tudo, que o marketing jurídico deve ter como espinha dorsal o desenvolvimento e manutenção de relacionamentos mutuamente duradouros com os clientes", analisa. Quase 70% dos escritórios indicaram investimentos em marketing de até 3% do faturamento anual.

Como a maioria das atividades de marketing é especializada, grande parte delas é terceirizada. Mais da metade (55%) terceiriza e os escritórios maiores são os que mais o fazem (78%). As cinco atividades mais terceirizadas são: criação de materiais de divulgação (80%), desenvolvimento e manutenção de sites (65%), assessoria de imprensa (50%), criação de anúncios (40%) e organização de eventos (30%). O grau é baixo na análise da clientela (12%), pesquisas de mercado (10%) e de satisfação (8%).

Sobre o artigo

Veiculada no jornal:
  • DCI [03/05/2011]

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