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Escritórios de advocacia devem personalizar serviços para manter clientes

 


O aumento das demandas jurídicas, puxado pela expansão das atividades produtivas e pela complexidade dos assuntos legais, está criando mais empregos para os advogados. Nesse cenário, como as empresas vêm contratando mais profissionais de Direito para dar conta das rotinas internas, os escritórios externos de advocacia precisam diferenciar seu atendimento como forma de manter a atratividade.

“Uma das funções do departamento jurídico é gerenciar os escritórios de advocacia externos. É um trabalho complicado que, como já ocorre no exterior, vem sendo reduzido”, disse Marco Antonio Gonçalves, gerente de Marketing da Campos Mello Advogados, durante reunião do comitê de Legislação da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (02/03).

Alguns serviços prestados por escritórios externos, como assessoria em fusões e aquisições, continuam aquecidos. Outros, como contenciosos trabalhistas, estão sendo cada vez menos solicitados, pois são atendidos internamente, nas próprias companhias. “Se uma empresa quer reduzir o número de contratados de 20 para 15, o escritório tem de se perguntar se quer ficar entre os 20 de antes ou os próximos 15”, provocou Gonçalves.

Segundo ele, o atendimento, cada vez mais, tem de ser diferenciado e adequado ao negócio do contratante. “Muitas vezes, um advogado de escritório ganha uma ação difícil, mas que, para o cliente, não foi tão importante assim”, afirmou.


Equipes internas de olho em menores custos

O diretor jurídico do setor de Açúcar e Álcool da Cosan, Elias Marques de Medeiros Neto, nota que as empresas começam a aumentar os quadros internos de advogados tendo em vista especialmente a otimização de custos. “Não conduziremos uma operação de fusão e aquisição, mas temos uma estrutura de serviço jurídico quase completa”, apontou.

Ele conta que, certa vez, recebeu de um pequeno escritório uma proposta de honorários de R$ 15 mil por mês para realizar serviços de cobrança de recebíveis atrasados, com garantia de 30% de sucesso. “Posso contratar um advogado pleno por menos que isso e que teria um percentual maior de sucesso. A proposta não agregou valor”, pontuou.

A Cosan emprega hoje 114 advogados internos. Dessa equipe, pelo menos 30 trabalham no departamento de contencioso trabalhista. A existência desse contingente é justificada por um volume de trabalho que pode ser atendido internamente a custos menores, justifica Medeiros.


Compreensão do cliente

Gonçalves reiterou que os escritórios precisam se envolver mais com as empresas que atendem. Um estudo sobre o relacionamento entre departamentos jurídicos e escritórios de advocacia publicado no primeiro trimestre de 2010 e apresentado por ele no comitê mostra as dificuldades enfrentadas, por exemplo, por uma companhia da área de papel e celulose.

No levantamento, do qual Gonçalves é coautor, a corporação dizia que um dos maiores problemas dos escritórios de advocacia é a falta de entendimento das necessidades efetivas dos clientes corporativos. “O suporte, na maioria das vezes, é tecnicamente perfeito, mas sua adequação aos interesses envolvidos é muito rara”, afirmou Gonçalves, replicando a justificativa apresentada pela companhia.

A diretora jurídica da Pepsico, Érica Barbagalo, também presente ao encontro na Amcham, relatou que costuma convidar os escritórios de advocacia para visitarem a linha de produção de sua companhia, estimulando que conheçam o negócio. Para ela, é muito importante que o parceiro entenda a estratégia, os valores e as peculiaridades da operação.

Um dos serviços jurídicos que a Pepsico terceiriza é o de propriedade intelectual, administrado por um escritório indicado pela matriz americana e coordenado no Brasil pelo departamento que Érica comanda. “Temos uma lista pequena e seleta de advogados externos”, observou ela.


Equilíbrio entre escritórios terceirizados e departamentos internos

Outro ponto reforçado no debate desta quarta-feira foi a relevância de que relação entre escritórios de advocacia e empresas penda para o equilíbrio.

A maior limitação que o modelo de departamento jurídico apresenta vem do fato de que os funcionários atuam sob o regime trabalhista, com períodos definidos de expediente. “Em escritórios, sabemos que os horários de trabalho são mais flexíveis”, disse Medeiros, da Cosan.

Sobre o artigo

Veiculada no site:
  • AMCHAM Brasil - São Paulo [02/03/2011]

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